quarta-feira, 19 de abril de 2017

SENSIBILIDADE


Não sou inteligente
Sou sensível.
A penas.
Isto quer dizer que sou fraca.
Muito.
Ha muito tempo
Um amigo me disse
Que pareço
Com uma cristaleira.
Fiquei imaginando...
Todos esses anos...
Tudo o que contém uma cristaleira...


(mk). 04/2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

                                          A MENINA E O MAR          



    Tenho coisas importantes pra falar sobre a tua imagem: - Uma boa, e outra péssima notícia: A ruim primeiro porque um bom veneno se destila a conta gotas !  - Nós, (ambos) no conjunto da obra da nossa geração atlética,  telúrica, colérica e  nativa ..: estamos ficando literalmente... velhos! .
Quem foi bonito pra caralho sabe muito bem o que é acordar um dia e ver que sua vida já teve passado e isso ha meio século! Agora então a boa! Você tem todo o apoio do universo machista que te acolhe e é quem dita as regras. Tem a chave da juventude tatuada nas veias. No olhar de predador e no sorriso de menino que  percebo: - nunca vai te deixar. A menos que você o abandone no meio do oceano. Quanto a mim, a minha criança me testa todos os dias. Mas tenho ainda sonhos, e os vivencio a cores nos meus escritos. Acordo, adormeço e me banho no oceano das letras . Que me proporcionam viagens para além dos mares. Meus escritos  me devolvem sempre e ainda um pouco da menina de pernas longas, cabelos dourados, de corpo firme, tatuado e suado , com cheiro de maresia.

domingo, 9 de abril de 2017

"O escritor original, enquanto não morre,  é sempre
   ESCANDALOSO."             (Simone de Beauvoir).





domingo, 15 de janeiro de 2017

Ensaio sobre um verão. Nenhum outro mais.

-Vou precisar do teu abraço com certeza Fabian!
 A ventania toma conta da praia.
- Olha  que vem tempestade aí  Mariela! - Vamos correr!
- Me arrastas a procura de um abrigo. Me puxando com toda a tua força na pressa de me proteger.
- Nós, os jovens sempre temos pressa de chegar a lugar algum....
-Mas ..." A juventude sempre tem razão". Seguimos...
A praia estava ficando deserta.
Parecia que o mundo estava desabando entre relâmpagos e trovões.
Procuramos abrigo  próximo a algumas construções.
Encontramos um vão de menos de meio metro com beirado estreito na porta de uma garagem pintada de verde.
Só cabia uma pessoa ali, mas tínhamos  que dividir o espaço.
 Nossos braços estavam ocupados com abraços.
 As ruas se transformando em riachos. O dia virando noite e nós juntinhos, imobilizados. Provavelmente sorrindo feito adolescentes, ...sentindo o cheiro de mar e dos pingos de chuva que escorria nos nossos cabelos. Éramos um protegendo o outro, tremendo de medo ou de frio, ... o dia virando noite, um cheiro delicioso de sal e areia inundando aquela praia toda.
As luzes poderiam se apagar, o mar secar.
As estrelas todas enfileiradas, desciam dos céus, tatuando a pele bronzeada das nossas faces.
Não sei em que tempo paramos. Não sei ao certo,  aonde, ou se isso realmente  aconteceu de verdade. Apenas encontrei em algumas gavetas da alma, vestígios  e sinais de pequenas tatuagens...como se fossem beijos querendo virar estrelas!.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quem és tu!

Quem és tu!



Tu te tornaste um bruxo cigano panteísta.
Eu, uma flor camuflada tipo erva daninha que se arrasta pra proteger a terra do sol escaldante. Me deixando assim,  arder ao sol do meio dia. Me entregando a morte com medo da chegada do inverno.
É preciso arder ás vezes para renascer em terreno fértil. Ser o nosso próprio adubo é vivenciar a nossa dor. Dor essa que poderia ser minha ou tua. Se não ardes, muitos se queimam. Se digladiam, se perdem.

Não se foge do tempo por toda a eternidade. Um dia ele virá para o acerto.Como tão bem colocaste. Eu me perdoo,  e é perdoando assim consequentemente... que espero conseguir um dia o perdão da tua natureza.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

PARAR -

PARAR -O QUE SIGNIFICA!




Quando as pessoas me perguntam por que parei de pintar nunca consigo uma resposta que me satisfaça internamente. Acho que um dia a gente acorda e simplesmente muda de rumo sem perceber. Mas tenho a única certeza de que o tempo que passei com pincéis e tintas, viagens de estudo, visitas a museus, são um exercício contínuo de aprendizagem... (acho que aqui consegui colocar a palavra certa), ... enfim... eu sabia que estava pintando para escrever. Isso nunca esqueço. Escrevia  mesmo antes de aprender a ler. Tenho verdadeiro fascínio pelas letras. Mesmo sabendo o quanto elas nos traem. As palavras não devem sair das bocas, mas sim, do corpo inteiro. Logo, eu escrevo quase todo o tempo possível ou quando a inspiração acontece. São dezenas de agendas, cadernos, guardanapos, cartões...rabiscados de idéias, pensamentos, emoções! parar... nunca parei .. sempre farei o impossível para compreender as vidas que não temos.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Les escargots voadores


Estava sentada em pleno Boulevard Saint Germain na varanda de um daqueles cafés lindos e geniais experimentando pela primeira vez, (era também minha primeira ida a Paris), os  famosos escargots exibidos nos filmes que assistia quando criança. Então... voilá, chega aquela bandejinha de prata com o legítimo potinho de porcelana de Limoges, claro!. contendo dez pequenos caramujos nadando dentro de um molho esverdeado. A aparência até que é bonitinha... mas não parecia muito apetitoso até sentir o aroma de vin blanc que emanava de uma pequena jarrinha com molho esverdeado que era servida à parte. Primeiro exercício: conseguir fixar a tal concha no aparelho específico de metal parecendo aquele puxador para alongar os cílios com a mão esquerda. Em seguida tentar puxar a rabeta da lesma com uma pinça reta sendo que o caramujo é oval. Então supõe-se uma certa dificuldade para caçar o bichinho que parece vivo tentando se escapar.

O casal ao lado não esconde a emoção e se prepara para sorrir meio que se divertindo às custas da minha inabilidade.. Platéia francesa a postos, não pude deixar de me divertir .. e muito.. tentando tirar o molusco da casca. Não consegui na primeira tentativa, e claro, quase arremessei o bicho varanda afora..., mas na terceira tentativa consegui degustar uma das coisas mais deliciosas do planeta. Mas vou avisando: - o segredo é o molho verde servido à parte onde você banha o bichinho acompanhado de uns goles de champanhe, onde você mergulha nas suas fantasias de criança e vira gente grande. A sobremesa foi uma tarte au poire. Torta de pera. .voilá! ..dos Deuses!